Em todo mundo os distritos da luz vermelha são a medida de uma paisagem urbana tingida por um desejo que parece não ter fim. Seja na periferia, no centrão ou na cidade baixa cada distrito é a antologia da gente que percorre a noite desafiando esse segredo que se define sem a luz. Basta apenas um desejo, para que esse mistério tome a liberdade de uma cor e ilumine por completo a forma. Só assim, a fotografia pode ser a acumulação ilimitada de cores cujos tons ora falam sobre a satisfação do ordinário ora escondem a ansiedade do prazer. E o desejo, que no sexo parecia simples, ganha uma matiz que se parte em dúvida e medo. O ritual da noite tem disso, seus jogos recebem a gente fustigada pelo dia com o presente da média, do som alto, da conversa dissimulada, dos risos largos, do azul sincero e da diversão barata. Sua função é só uma, atestar que por trás de cada olho atiçado existe um mundo repleto de cores inchadas e desejos saturados.